O sistema judicial do Canadá aproxima-se de uma decisão final num dos casos mais perturbadores de maus-tratos infantis da última década.
Brandy Cooney e Becky Hamber, residentes em Ontário, aguardam agora a leitura da sentença após um julgamento que expôs detalhes aterradores sobre a morte de um menino de 12 anos em 2022. O jovem, que vivia sob a guarda das duas mulheres, foi vítima de um cenário de tortura sistemática que culminou numa paragem cardiorrespiratória fatal.
As perícias médicas apresentadas em tribunal revelaram um quadro de negligência extrema: o corpo da vítima estava tão subnutrido que, aos 12 anos, o seu desenvolvimento físico assemelhava-se ao de uma criança de apenas seis. A investigação apurou que o menino foi sujeito a privação de alimento, agressões físicas e exposição a frio severo. Num detalhe macabro que chocou a opinião pública, o jovem foi encontrado sem vida no seu quarto, vestido com um fato de mergulho molhado, num estado de hipotermia profunda.
O ambiente de terror estendia-se ao irmão mais novo, de 10 anos, que sobreviveu para testemunhar sobre o medo constante em que viviam. Enquanto nas redes sociais as acusadas projetavam uma imagem de estabilidade e cuidado, as mensagens privadas recuperadas pelas autoridades mostravam uma realidade oposta. Cooney e Hamber chegavam a referir-se a si próprias como “guardas prisionais”, demonstrando um desprezo absoluto pelo bem-estar das crianças a seu cargo.
A defesa das mulheres continua a sustentar a tese de que o jovem sofria de um distúrbio alimentar pré-existente, negando as acusações de homicídio, negligência e sequestro. No entanto, as evidências de maus-tratos físicos e a discrepância entre a “vida perfeita” online e a miséria vivida dentro de portas pesam fortemente contra as arguidas. A sentença, prevista para os próximos dias, é aguardada com enorme expectativa por uma comunidade internacional que clama por justiça perante tamanha crueldade.